terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

ROSANE BERTOTTI: GOVERNO DILMA ASSUME “RECEITUÁRIO FRACASSADO”

CMS rechaça cortes de R$ 55 bilhões no Orçamento para engordar especuladores com superávit primário
16/02/2012
“Compromissos de campanha, saúde, educação e desenvolvimento agrário foram guilhotinados”
Reunida na tarde desta quinta-feira (16) em São Paulo, a direção operativa da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS) rechaçou os cortes de R$ 55 bilhões anunciados pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, no Orçamento Federal para “engordar os especuladores com um superávit primário de R$ 140 bilhões”.
“Compromissos de campanha, setores estratégicos e altamente sensíveis como saúde, educação e desenvolvimento agrário foram guilhotinados para alimentar a agiotagem, num claro desserviço ao país e ao povo brasileiro”, denuncia a CMS, defendendo a importância do investimento público para fomentar o crescimento econômico e social do país.
Infelizmente, dos R$ 55 bilhões desviados do Orçamento para os bancos, R$ 25,567 bilhões – em torno de 46,5% do total, são cortes nos investimentos do governo federal que irão inevitavelmente ter reflexos negativos no dia-a-dia da população.
Na avaliação de todos os presentes, a profundidade e a irracionalidade do montante retirado do Orçamento vão na contramão dos compromissos assumidos pela presidenta Dilma nas últimas eleições e contradizem o discurso realizado recentemente no Fórum Social de Porto Alegre, onde se contrapôs à lógica da subserviência aos ditames do capital financeiro internacional.
Conforme a Coordenação dos Movimentos Sociais, “em vez de o governo fortalecer o papel do Estado como força protagonista do desenvolvimento e da justiça social, está limitando a sua capacidade de fomentar o crescimento, tornando o país mais vulnerável aos impactos da crise internacional.
Em vez de estimular a produção nacional e reduzir os juros, estão colocando o Orçamento nacional na bandeja para servir a ganância sem fim do sistema financeiro”. “Vale lembrar que é nesta toada que bancos como o espanhol Santander registraram 28% do seu lucro mundial no Brasil. Não podemos permitir que o dinheiro do povo brasileiro continue sendo sangrado para sanar o caixa de banqueiros estrangeiros, enquanto o nosso mercado é estrangulado, pois isso representa menos emprego e mais arrocho e precarização”, acrescenta a CMS.
Os cortes abrangem R$ 5,473 bilhões da Saúde; R$ 3,322 bilhões do Ministério das Cidades, R$ 3,319 bilhões da Defesa; R$ 2,193 bilhões da Integração Nacional; R$ 1,976 bilhão dos Transportes; R$ 1,958 bilhão da Agricultura; R$ 1,938 bilhão da Educação; R$ 1.194 bilhão do Desenvolvimento Agrário; R$ 493 milhões da Previdência Social – além de R$ 7,7 bilhões em benefícios previdenciários; R$ 1,543 bilhões da Assistência Social, toda a verba do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia e do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste, todo o complemento do governo federal ao FGTS (R$ 2,957 bilhões), e mais R$ 5,158 bilhões (isto é, 50%) dos subsídios do governo federal.
“Os movimentos sociais brasileiros não aceitam estes cortes, que fazem parte de um receituário fracassado que está convulsionando a Europa e os Estados Unidos para atender 1% da população. Nós fazemos parte dos 99% e não aceitamos este retrocesso”, declarou Rosane Bertotti, da executiva da Coordenação dos Movimentos Sociais e secretária nacional de Comunicação da CUT.
Para Carlos Rogério, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), “os cortes são inaceitáveis e dialogam com a pauta dos derrotados nas últimas eleições, com medidas contrárias ao interesse nacional e popular”.
Entre outros, participaram da reunião os dirigentes Maria José, da Confederação Nacional das Associações de Moradores (Conam); Edson França, da Unegro; Rubens Diniz, do Cebrapaz, e Benedito Barbosa, da Central de Movimentos Populares (CMP).

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

PROFESSORES DE SP MARCAM GREVE PARA 14 DE MARÇO


São Paulo - O Sindicato dos Professores da Rede Estadual de São Paulo (Apeoesp) organiza a categoria para uma greve geral no dia 14 de março. O motivo da paralisação, segundo o sindicato, é o descumprimento da Lei do Piso Nacional, que prevê um terço do tempo de aula livre para o professor se preparar para suas atividades.
A Secretaria de Educação do Estado negou nesta quarta-feira (15) o descumprimento da lei e irritou os movimentos sociais que participaram de uma audiência pública sobre o tema na Assembleia Legislativa paulista.
"A Secretaria de Educação deveria implementar a lei imediatamente porque é constitucional, mas buscou-se um caminho protelatório e a questão está sendo empurrada com a barriga", reclamou a presidenta da Apeoesp, Maria Izabel Noronha. Ela explicou que a justificativa do governo é a falta de professores na rede estadual e de verba para contratação de novos profissionais.
O assessor de Comunicação da pasta, Maurício Tuffani, que representou o governo na audiência, explicou que o tempo de preparação previsto pela Constituição já é cumprido. Ele discordou das reclamações dos professores. "A lei é muito clara. A Apeoesp discorda por utilizarmos um somatório de intervalos que não existem mais, e que eles mesmos consideravam horário extra-classe", explicou.
Tuffani afirmou que não compete mais à Secretaria qualquer discussão sobre o tema. "Está no âmbito da Fazenda pública, não nas nossas mãos", disse. Ele falou que não irá comentar a greve enquanto ela não estiver ocorrendo. Mesmo assim, Maria Izabel afirmou que a paralisação será muito forte. "Pelo clima, ninguém está a fim de ficar esperando."

Bate-boca

O plenário lotado para a audiência pública assistiu a um pequeno bate-boca entre os deputados Mauro Bragato (PSDB) e João Paulo Rillo (PT). O petista chegou a comparar o descaso do governo com os tempos de ditadura. "Infelizmente o goveno adotou uma posição muito intransigente, de desrespeito ao estado democrático de direito, que desacata a lei", disparou.
Bragato reclamou da postura de Rillo e acusou o parlamentar de estar utilizando o tema politicamente. "Está havendo um exagero por parte do deputado (Rillo). Nós vamos participar de qualquer negociação como sempre participamos. Nós temos aqui um problema que terá de ser resolvido com educação", respondeu.
Tanto a base governista quanto os movimentos sociais e deputados de oposição enxergaram como improvável um consenso até 14 de março, data marcada para início das greves.

PARA CUMPRIR PROMESSA, GOVERNO DEVE CONSTRUIR 1,7 MIL CRECHES POR ANO

Presidenta Dilma assumiu o compromisso de criar 6 mil creches durante os 4 anos de seu mandato; em 2011, nenhuma obra foi concluída
 15/02/2012 
Vivian Fernandes
O programa de Implantação de Escolas para Educação Infantil terá que construir cerca de 1,7 mil creches anualmente, nos próximos três anos, se quiser cumprir a promessa da presidenta Dilma Rousseff para o setor. A governante assumiu o compromisso de criar 6 mil creches durante os quatro anos de seu mandato. Em 2011, nenhuma obra foi concluída, apesar de terem sido gastos R$ 308 milhões, de um total de R$ 891 milhões autorizados para o ano. 
Para dar conta da meta, o Ministério da Educação terá que inaugurar pelo menos 178 creches por mês – ou cinco por dia –, até o fim de 2014. 
O montante reservado para construção das creches neste ano é de R$ 1,8 bilhão. Soma-se a esse valor R$ 300 milhões para a ação de Apoio à Manutenção da Educação Infantil e o restante do último ano, R$ 582 milhões já empenhados. As verbas são repassadas diretamente aos municípios e fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). 
O déficit de creches no Brasil é de 19,7 mil unidades. O Plano Nacional de Educação prevê que, até 2020, 50% das crianças de zero a três anos estejam matriculadas na educação infantil. Atualmente, esse índice é de 16,6%.
 (Com informações do portal Contas Abertas)

A CAUSA DA CRISE FINANCEIRA É A LÓGICA DO PRÓPRIO CAPITALISMO

Para o professor François Houtart, somos confrontados com uma lógica que corre ao longo da história econômica do século passado
 20/01/2012
Nilton Viana
da Redação

O sociólogo belga François Houtart - Foto Roosewelt Pinheiro/ABr
A crise que vivemos é mais profunda e bastante diferente da que conhecemos nos anos 1929 e 1930, afirma o professor François Houtart. Segundo ele, sua dimensão evidentemente está vinculada ao fenômeno da globalização. Porém, ressalta que a atual crise não é nova. Não é a primeira crise do sistema financeiro e muitos dizem que não será a última. Houtart acredita que o mais importante, e isso é diferente dos anos 1929 e 1930, é essa combinação com vários tipos de crises. E afirma: a causa fundamental da crise financeira é a lógica do próprio capitalismo. “A crise financeira é devida à lógica do capital, que tenta buscar mais lucros para acumular capital, que é, dentro dessa teoria, o motor da economia”.
Em entrevista ao Brasil de Fato, Houtart fala também sobre as várias facetas desta crise, inclusive a crise alimentar, a qual, segundo ele, faz parte da mesma lógica. “A combinação da crise econômica com a alimentar é algo novo. Porém, são vinculadas”.

Brasil de Fato – O mundo vive hoje uma crise mundial, que tem afetado principalmente os Estados Unidos e a Europa. Como o senhor avalia esse cenário?
François Houtart – Eu penso que, primeiro, se trata de uma crise do sistema econômico capitalista, que é muito similar à crise dos anos de 1929-1930 e também a muitas outras crises cíclicas do sistema capitalista onde há subprodução, subconsumo e eventualmente crises financeiras.
A crise que vivemos hoje me parece mais profunda e bastante diferente da que conhecemos nos anos 1929 e 1930, porque, primeiro, sua dimensão evidentemente está vinculada ao fenômeno da globalização. Isso significa que hoje há um efeito muito mais global do que nos anos de 1929-1930 e que evidentemente afeta o conjunto da economia. Já está afetando os países emergentes e de uma maneira ou outra afetará outros países do mundo. Porém, o mais importante, e isso é diferente dos anos 1929 e 1930, é essa combinação com vários tipos de crises. Por exemplo, a crise alimentar, que foi conjuntural nos anos 2008-2009 e que correspondeu à crise do capital financeiro. Porque o capital financeiro tem buscado novos lugares de especulação e o lugar foi a alimentação, com conseqüências terríveis. E a crise alimentar é também estrutural e não somente conjuntural, porque precisamente afeta toda a maneira de fazer a agricultura. E a introdução cada vez mais forte do capital dentro da agricultura, com a concentração de terras, gera uma contrarreforma agrária mundial e o desenvolvimento de monocultivos, com todas as consequências ecológicas de destruição de ambiente e também de destruição humana; por exemplo, a exclusão dos camponeses de suas terras.
A combinação da crise econômica com a alimentar é algo novo. Porém, são vinculadas. Na verdade, a crise financeira é devida à lógica do capital, que tenta buscar mais lucros para acumular capital, que é, dentro dessa teoria, o motor da economia. Se o capital financeiro é mais proveitoso do que o produtivo, ele faz a lei da economia mundial como é hoje. Assim, essa é evidentemente a lógica do capitalismo que provoca a crise financeira, que tem efeitos econômicos, porque tem efeitos sobre emprego, crédito e toda a economia. Porém, é essa mesma lógica que está provocando a crise alimentar, porque, por uma parte, há uma especulação – o preço do trigo, por exemplo, tem dobrado 100% em um ano, menos de um ano, por razões puramente especulativas.

A inclusão do capital na agricultura teve como uma de suas consequências
a exclusão dos camponeses de suas terras - Foto: P.Casier/CGIAR
E quais são as conseqüências sociais dessa crise?
Na verdade, as consequências sociais da crise financeira são sentidas além das fronteiras da sua própria origem e afetam os fundamentos da economia. Desemprego, custo de vida crescente, a exclusão dos mais pobres, a vulnerabilidade das classes médias, expandindo a lista de vítimas no mundo. Não é apenas um acidente no percurso, ou apenas de abusos cometidos por alguns atores econômicos que precisam ser punidos. Somos confrontados com uma lógica que corre ao longo da história econômica do século passado. O desenrolar dos acontecimentos sempre responde à pressão das taxas de lucro. A crise que vivemos hoje não é nova. Não é a primeira crise do sistema financeiro e muitos dizem que não será a última.

A seu ver, qual é a principal causa dessa crise mundial?
A causa fundamental da crise financeira é a lógica do próprio capitalismo, que torna o capital motor da economia. E seu desenvolvimento – essencialmente, a acumulação – leva à maximização do lucro. Se a financeirização da economia favorece a taxa de lucro e se a especulação acelerou o fenômeno, a organização da economia como um todo continua dessa forma. Mas um mercado não regulamentado capitalista conduz inevitavelmente à crise. E, como indicado no relatório da Comissão das Nações Unidas, é uma crise macroeconômica.

Um dos graves problemas da humanidade hoje é a fome. Como fica essa questão frente a esse cenário de crise?
A crise alimentar tem dois aspectos, um cíclico e um estrutural. O primeiro manifestou-se com o aumento dos preços dos alimentos em 2007 e 2008. Sim, para explicar o fenômeno, houve alguma base eficiente, como alguma diminuição fraca em reservas de alimentos, mas a principal razão foi de natureza especulativa, em que a produção de agrocombustíveis não ficou imune (etanol de milho nos Estados Unidos). Assim, o preço do trigo na Chicago Board (Bolsa de Chicago) aumentou para 100%, do milho 98% e do etanol, 80%. Durante esses anos, uma parte do capital especulativo passou de outros setores para investir na produção de alimentos, na busca por lucros rápidos e significativos. Consequentemente, segundo o diretor da FAO, em geral, a cada ano, em 2008 e 2009, mais de 50 milhões de pessoas ficaram abaixo da linha da pobreza e o total de pessoas que viviam nessa situação em 2008 atingiu um valor nunca antes conhecido – de mais de um bilhão de pessoas. Essa situação foi claramente o resultado da lógica do lucro, a lei capitalista do valor.
O segundo aspecto é estrutural. É a expansão durante os últimos anos da monocultura, resultando na concentração da terra, ou seja, uma verdadeira contrarreforma. A agricultura familiar foi destruída em todo o mundo sob o pretexto de sua baixa produtividade. Na verdade, as monoculturas têm uma produção que às vezes pode ir até 500% ou mais de 1000%. No entanto, dois fatores devem ser levados em conta. A primeira é a destruição ecológica dessa forma de produzir. Florestas são removidas, solo e água contaminados pelo uso maciço de produtos químicos. Agricultores são forçados a deixar suas terras e há milhões que têm de migrar para as favelas das cidades, aumentando a crise urbana, e aumentando a pressão da migração interna, como no Brasil, ou externa, como em muitos outros países.

Então a fome no mundo não tem nada a ver com a produção de alimentos, com a capacidade de produzir?
Não. Não tem nada a ver com a produção. A questão é somente especulativa. É a Bolsa de Chicago que fixa os preços internacionais dos grãos.

E como o senhor vê as afirmações de alguns estudiosos de que o planeta, com uma população na casa dos 7 bilhões de pessoas, se torna incapaz de produzir alimentos para nutrir tanta gente?
Isso é totalmente falso. Segundo a FAO, teoricamente a Terra pode facilmente nutrir 10 ou 12 bilhões de habitantes.

E a questão energética, também faz parte desse cenário de crise?
A crise de energia vai além da explosão conjuntural dos preços do petróleo e faz parte do esgotamento dos recursos naturais explorados pelo modelo de desenvolvimento capitalista. Uma coisa é clara: a humanidade vai ter que mudar a fonte de sua energia nos próximos 50 anos. Os picos de petróleo, urânio e gás podem ser discutidos em termos de anos precisos, mas ainda assim sabemos que esses recursos não são inesgotáveis e que as datas não estão longe. Com o esgotamento, inevitavelmente vem o aumento dos preços das commodities, com todas as consequências sociais e políticas. Além disso, o controle internacional de fontes de energia fósseis e outros materiais estratégicos é cada vez mais importante para as potências industriais, que não hesitam em usar a força militar para se apropriar deles. É no contexto de escassez de energia no futuro que se insere parte do problema dos agrocombustíveis. Diante da expansão da demanda e da redução esperada em recursos energéticos fósseis, há uma certa urgência de se encontrar soluções. Como novas fontes de energia exigem o desenvolvimento de tecnologias ainda não muito avançadas (como a solar ou à base de hidrogênio) e outras soluções são interessantes, mas economicamente marginais ou não rentáveis (mais uma vez, a solar e a eólica), a dos agrocombustíveis pareceu interessante.

Mas a produção dos agrocombustíveis traz também graves consequências.
A produção de agrocombustível é feita na forma de monocultura. Em muitos casos, isso envolve a remoção de grandes florestas. Na Malásia e na Indonésia, em menos de 20 anos 80% da floresta original foi destruída pelas plantações da palma e eucalipto. A biodiversidade é removida, com todas as consequências sobre a reprodução da vida. Para produzir é usado não só muita água, mas um monte de produtos químicos, como fertilizantes ou pesticidas. O resultado é uma poluição intensiva de água subterrânea, dos rios que desembocam no mar, e um perigo real de falta de água potável para as populações. Além disso, os pequenos agricultores são expulsos e muitas comunidades indígenas perdem suas terras ancestrais, causando uma série de conflitos sociais, até mesmo violentos. O desenvolvimento de agrocombustíveis corresponde à negligência das externalidades ambientais e sociais, típicas da lógica do capitalismo.

E como o senhor vê a questão climática nesse cenário atual?
A crise climática é bem conhecida e as informações estão se tornando mais precisas, graças a várias conferências da ONU sobre clima, biodiversidade, geleiras etc. Enquanto o atual modelo de desenvolvimento continuar emitindo gases de efeito-estufa (especialmente CO2), destruindo os sumidouros de carbono, ou seja, sítios naturais de absorção desses gases, especialmente florestas e os oceanos, a crise continuará. A pegada ecológica é de tal ordem que, de acordo com estimativas, em 2010, em meados de agosto, o planeta tinha esgotado a sua reprodução natural. Além disso, de acordo com o relatório do Dr. Nicholas Stern para o governo britânico, em 2006, se as tendências atuais continuarem na metade do século existirão entre 150 e 200 milhões de migrantes climáticos, e os mais recentes números são ainda mais elevados.

E como o senhor avalia as medidas adotadas pelas elites e governos para tentar superar essas crises? E quais são as soluções?
A primeira solução é a do sistema. Alguns, principalmente preocupados com a crise financeira, propuseram mudar e punir os responsáveis. Essa é a teoria do capitalismo (teoria neoclássica em economia), que vê elementos positivos na crise, porque eles permitem a liberação de elementos fracos ou corruptos para retomar o processo de acumulação em bases saudáveis. Atores são alterados, e não se muda o sistema. Evidentemente não é solução. A segunda visão é propor regulamentos. É reconhecido que o mercado regula a si mesmo e que os organismos nacionais e internacionais têm necessidade de executar essa tarefa. Os Estados e organizações internacionais devem ser envolvidos. O G8, por exemplo, propôs certos regulamentos do sistema econômico global, mas ligeiros e temporários. Em vez disso, a ONU apresentou uma série de regulamentações muito mais avançadas. Propôs a criação de um Conselho de Coordenação Econômica Global, em pé de igualdade com o Conselho de Segurança, e também um painel internacional de especialistas para acompanhar permanentemente a situação econômica global. Outras recomendações tratadas foram a abolição dos paraísos fiscais e do sigilo bancário e, também, maiores requisitos de reservas bancárias e um controle mais rígido das agências de notação de crédito. A profunda reforma das instituições de Bretton Woods foi incluída, bem como a possibilidade de se criar moedas regionais em vez de ter como referência única o dólar. Os regulamentos propostos pela Comissão Stiglitz para reconstruir o sistema financeiro e monetário, apesar de algumas referências a outros aspectos da crise, tais como clima, energia, alimentos – e apesar do uso da palavra sustentável para qualificar o crescimento – não têm a profundidade suficiente para fazer a pergunta: para que reparar o sistema econômico? Para desenvolver, como antes, um modelo que destrói a natureza e é socialmente desequilibrado? É provável que as propostas para reformar o sistema monetário e financeiro serão eficazes para superar a crise financeira, e muito mais do que o que foi feito até agora, mas é suficiente para responder a desafios globais contemporâneos? A solução é dentro do capitalismo, um sistema historicamente esgotado, mesmo que tenha ainda muitos meios de adaptação. A gravidade da crise é tal que devemos pensar em alternativas, não somente em regulações.

E, quais seriam, por exemplo, essas outras alternativas?
Questionar o próprio modelo de desenvolvimento. A multiplicidade de crises que foram exacerbadas nos últimos tempos é resultado da lógica de mesmo fundo: uma concepção de desenvolvimento que ignora as “externalidades” (danos naturais e sociais); a ideia de um planeta inesgotável; o foco no valor de troca em detrimento do valor de uso; e a identificação da economia com a taxa de acumulação de lucro e do capital que cria, consequentemente, enormes desigualdades econômicas e sociais. Esse modelo resultou em um crescimento espetacular da riqueza global, mas seu papel histórico se perdeu, devido à sua natureza destrutiva e da desigualdade social que resultou. A racionalidade econômica do capitalismo, escreve Wim Dierckxsens, não apenas tende a negar a vida da maioria da população mundial como também destrói a vida natural.
Temos que discutir alternativas ao modelo econômico capitalista prevalecente hoje e os meios para rever o próprio paradigma (orientação básica) da vida coletiva da humanidade sobre o planeta, conforme definido pela lógica do capitalismo, que hoje é global. A vida coletiva é composta por quatro elementos que chamamos de base, porque as exigências são parte da vida de toda sociedade, desde as mais antigas até as mais contemporâneas: a relação com a natureza; a produção da base material da vida física, cultural e espiritual; a organização social e política coletiva; e a leitura do real e autoenvolvimento dos atores na sua construção da cultura. Ou seja, cada sociedade tem essa tarefa para realizar.

Mas as alternativas necessariamente passam pelo envolvimento do conjunto da sociedade organizada, dos movimentos sociais.
Exatamente. As alternativas são tão importantes que não vão chegar por si só. É somente pela pressão dos movimentos sociais, movimentos políticos também, que podemos esperar chegar a redefinir os objetivos fundamentais da presença humana no planeta e o desenvolvimento humano no planeta. E isso significa transformar a relação com a natureza. Passar da exploração ao respeito. Significa outra definição da economia. Não somente produzir um valor agregado senão produzir as bases da vida. Da vida física, cultural, espiritual de todos os seres humanos no planeta. Isso é a economia. Porém, isso não corresponde à definição do capitalismo. Também é preciso generalizar a democracia a todas as instituições, não somente políticas e econômicas mas também na relações humanas, relações entre homens e mulheres etc. É necessário também não identificar desenvolvimento com civilização ocidental e dar a possibilidade a todas as culturas, religiões, filosofias de participar dessa construção. Isso é o que chamo de construir o bem comum da humanidade, que é a vida; assegurar a vida, a vida do planeta e a vida da humanidade. Isso é um projeto alternativo, que pode parecer utópico. Porém não é utópico porque existem milhares de organizações e movimentos sociais que já trabalham para transformar esses aspectos da vida comum da humanidade, para melhorar a relação com a natureza, para ter outro tipo de economia, para ter uma participação, uma democracia que seja participativa e para renovar a cultura. Existem muitas iniciativas. Isso posso chamar de construção do socialismo. Porque socialismo não é uma palavra. É um conteúdo. E eu penso que devemos redefinir o conteúdo do socialismo.

Como o senhor analisa a América Latina neste contexto da crise e qual é o papel dos movimentos sociais?
É muito interessante porque a América Latina é o único continente do mundo onde temos tido alguns avanços. Não ainda na opção de novo paradigma, nova orientação fundamental, porém, pelo menos avanços, que não existem em outros continentes até agora. Mas não é algo generalizado na América Latina. Há alguns países que só reproduzem o sistema, com sua dependência ao capital internacional, particularmente do norte do continente americano. São países como México, Colômbia, Chile, Panamá, Costa Rica, Honduras etc. São países onde a burguesia local está totalmente vinculada com o sistema internacional e, nesse sentido, não tem outro projeto senão um projeto muito repressivo contra as populações.

Subordinação total.
Exatamente. Há uma segunda realidade, que são os países que podemos chamar de “adaptações ao sistema”. E aí existem dois tipos de países. Há os que dizem: sim, o sistema necessita de mudanças fundamentais e devemos nos adaptar à lógica do capitalismo. E para se ter mais justiça social e repartir parte do lucro, como já dizia Marx, com o rápido avanço das forças produtivas, temos um aumento dos lucros e da destruição da natureza. Nesse tipo de desenvolvimento se inserem Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, que possuem programas sociais eficazes. Com resultados indubitáveis porque milhões de pessoas saíram da pobreza, o que não podemos desprezar, porém, esse modelo não transforma profundamente a sociedade; isso representa apenas uma redistribuição de parte do lucro. Não podemos dizer que é uma mudança de paradigma. Entretanto, há países como Venezuela, Equador e a Bolívia, que têm outro discurso, o do socialismo do século 21, que pelo menos faz uma alusão a uma transformação fundamental. Pelo menos no Equador e na Bolívia, entre o discurso e a prática eu vejo grande avanços, em que as práticas dos governos seguem uma orientação das demandas sociais apresentadas pelos movimentos sociais.

Então, neste contexto de crise, os países que estão mais vulneráveis sofrem mais as consequências?
Não estou seguro. Teoricamente pode-se dizer que sim, esses países serão mais afetados em médio prazo. Porém, no momento é igual em todas as partes. Mas, evidentemente, os países mais vinculados ao sistema serão mais afetados em médio prazo. Entretanto, desgraçadamente, países como Venezuela e Bolívia também são indiretamente dependentes do sistema global e sofrerão as consequências. O que eu acho que é cedo demais pra se dizer, com diz Samir Amin, que eles conseguiram fazer uma desconexão. Não, não conseguiram. Mas é óbvio que as economias mais vinculadas à economia do Norte sofrerão as consequências a curto prazo.

No caso da América Latina, uma maior integração dos países seria uma alternativa frente a esse cenário mundial? O papel do Estado é fundamental neste contexto?
Absolutamente. Mas, para encerrar a tipologia, eu penso que a Venezuela é um país que avança para um novo modelo, onde as mudanças são mais aprofundadas. O papel do Estado não pode ser concebido sem levar em conta a situação dos grupos mais marginalizados socialmente, os sem-terra, as castas mais baixas ignoradas por milênios, os povos indígenas da América e os excluídos de ascendência africana; e, nesses grupos, as mulheres são muitas vezes duplamente marginalizadas. A expansão da democracia também se aplica para o diálogo entre os movimentos políticos e sociais. A organização de instâncias de consulta e diálogo pertence ao mesmo conceito, respeitando a autonomia mútua. O projeto de um conselho de movimentos sociais na arquitetura geral da Alba é uma tentativa original nessa direção. O conceito de sociedade civil muitas vezes utilizados para esse fim ainda é ambíguo, porque ela é também o lugar da luta de classes: há realmente uma sociedade civil de baixo e de cima e o uso do termo de forma não qualificada permite muitas vezes a criação de uma confusão e a apresentação de soluções que ignoram as diferenças sociais. Por outro lado, as formas de democracia participativa, como os encontrados em vários países latino-americanos, também entram na mesma lógica da democracia em geral. Todas as novas instituições regionais latino-americanas, como o Banco do Sul, a moeda regional (o sucre) e a Alba, serão objeto de atenção especial na direção de propagação da democracia. E o mesmo vale para os outros continentes.



François Houtart é sociólogo e professor da Universidade Católica de Louvain (Bélgica). É diretor do Centro Tricontinental, entidade que desenvolve trabalho na Ásia, África e América Latina.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

TARSO E SUA POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS 

ERICO CORRÊA

Passado mais de um ano do governo, podemos considerar a sua política de pessoal como, no mínimo, incoerente. Afora os velhos problemas, como a questão da previdência, quantidade e salários dos cargos em comissão ou a famosa independência entre os poderes, que leva magistrados e procuradores ao patamar de vencimentos em que se encontram, existem outras questões. A primeira diz respeito ao cumprimento da lei. Economistas que defendem não existirem recursos para pagar o piso salarial dos professores, por exemplo, deveriam calcular quanto o governo gastou com reajustes concedidos aos maiores salários ou criando cargos.

A segunda questão se refere ao texto constitucional, em seu artigo 37. A revisão anual dos vencimentos é determinada por este artigo, e o governo simplesmente não cumpre. Enquanto várias categorias comemoraram suas conquistas ao longo de 2011, o quadro geral e aqueles a ele vinculados, simplesmente não receberam nem mesmo a reposição da inflação. Neste momento, funcionários da segurança pública manifestam sua frustração com as negociações. A proposta para os educadores está muito aquém de atingir o piso. Setores como agricultura, saúde, administração e tantos outros, como os trabalhadores da extinta Caixa Estadual, tiveram reajuste zero e veem estarrecidos setores como a Fazenda, a PGE, além de delegados, TC, MP, Judiciário e outros serem muito bem tratados pelo governador.

Uma política séria e consequente deveria partir da negociação das perdas e buscar um objetivo comum: diminuir o abismo existente entre os maiores e os menores salários. Do jeito que vai, o governo Tarso irá aprofundar ainda mais este abismo. Enquanto uns ganham pequenas fortunas todo mês, outros recebem completivo para atingir o salário-mínimo. O governador deveria explicar os seus critérios. E cumprir a lei. Os servidores, até agora, não entenderam!

ERICO CORRÊA é funcionário público e integrantes da CSP-Conlutas

O PISO TARSO

SIDEN FRANCESCH DO AMARAL

Como viver com esse salário
De  fome do Governo Tarso?
Do que adianta falar em 2014?
Se nossas necessidades
São urgentes e crucial é o fardo...

Pai, afasta de mim esse fardo
Pai, afasta de mim esse fardo
Pai, afasta de mim esse fardo
De penúria do Governo Tarso!

Educador não fique calado,
O silêncio só aumenta o dano.
O diálogo é só discurso,
Não passa de outro engodo!

De tão surrada essa desconversa,
Ninguém acredita mais
Do que adianta falar em boa vontade,
Se a prática observada
Repete cenas de velho filme
Autoritário e covarde de tempos atrás...

A  reforma do ensino médio,
Assim como o "decretarso"Confirmam a falácia de diálogo,
As condições laborais do educador,
É de provocar assombroso tédio!

Os projetos conduzidos,
Em regime de urgência,
Encobrindo com malícia
À necessária transparência!

Autônoma parcela se converte,
Em índice dissimulado
Prazos vigorando até ano seguinte
O discernimento acusa
Assim, a inflação corrói...

Aprovação urgente é recomendada,
Pois o debate desmascara a farça,
Transformando o nobre parlamento,
Em irreconhecível força bruta
Com o debate atropelado, sem graça!
E a promessa de valorização
Transforma-se, agora, destrói!

Desrespeito à carreira,
Previdência, calotes
Não pagamento do Piso...
E os educadores contabilizando
Lastimável  prejuízo!

A mais recente forma de usurpar,
Hora/aula em relógio converter,
Tornado-se hábito com uma mão acenar
E com  a  outra,  fazer  perder...

Fragilidade democrática provoca calafrio,
A quem reivindica punição,
Ao  que  governa à lei,  em arrepio,
Deplorável complacência e permissão.

Protelar é a Lei desrespeitar
2014 não é fato consumado
De desculpas e esperar
O educador já está cansado...
Basta de perder
A cantilena é só para retardar
O Piso é  lei! Vamos à Luta,  pra valer!

SIDEN FRANCESCH DO AMARAL é professor de diretor do 14º Núcleo do CPERS/Sindicato (São Leopoldo)
Nota do autor: esse poema foi inspirado na composição musical de Chico Buarque, Cálice.

Reprodução: http://www.cpers.org.br

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

PAULO FREIRE BANIDO

O secretário da educação do Arizona disse que notou que Che Guevara era tratado como um herói, enquanto que Benjamin Franklin era considerado racista pela turma
13/02/2012

Silvio Mieli

O livro Pedagogia do Oprimido, do educador brasileiro Paulo Freire, foi banido das escolas públicas de Tucson, no estado do Arizona, sudoeste dos Estados Unidos da América (EUA).
Seguindo a lógica antilatina que marca as recentes decisões jurídico-políticas no estado, agora uma lei suspendeu o currículo baseado no Programa de Estudos Mexicanos/Americanos, que durante uma década ajudou a conscientizar os alunos das suas raízes culturais.
Lembrando que 10,3% da população dos EUA é composta de “chicanos” e 30% da população da cidade de Tucson apresenta a mesma origem étnica.
Em meados de janeiro, os livros de Paulo Freire, assim como os de Elizabeth Martinez, Rodolfo Corky Gonzales, Arturo Rosales, Rodolfo Acuna e Bill Bigelow foram retirados do programa e proibidos pela Secretaria de Educação de Tucson de serem aplicados, em cumprimento à lei estadual que considera os estudos mexicanos “doutrinadores” e “portadores de um único ponto de vista”.
Para justificar a medida, o secretário da educação do Arizona John Huppenthal disse que, ao visitar uma escola em Tucson, notou que Che Guevara era tratado como um herói, inclusive com direito a pôster numa das salas de aula, enquanto que Benjamin Franklin era considerado racista pela turma. Huppenthal julgou intolerável que o termo “oprimido” do livro de Paulo Freire fosse inspirado no Manifesto Comunista de Marx e Engels, “que considera que a inteira história da humanidade é uma batalha entre opressores e oprimidos”, criticou o secretário.
A suspensão do programa priva os alunos de compreenderem melhor os fatores históricos da ocupação do território onde vivem (parte do Arizona pertencia ao México e foi anexada pelos EUA), além de impedir o contato de uma inteira geração com o método emancipador de Paulo Freire.
O que não percebem os que executam a educação “bancária”, no termo usado por Paulo Freire em Pedagogia do Oprimido, é que nos próprios “depósitos” se encontram as contradições. E, cedo ou tarde, esses “depósitos” podem provocar um confronto com a realidade e despertar os educandos contra a sua ”domesticação”.

Silvio Mieli é jornalista e professor universitário.
Reprodução:  http://www.brasildefato.com.br

HUMILHAÇÃO IMPOSTA A TRABALHADOR RESULTA EM INDENIZAÇÃO DE R$ 100 MIL

Segundo o TST, ex-vendedor da AmBev passou por maus-tratos , como corredor polonês, por não atingir metas de venda
São Paulo – O Tribunal Superior do Trabalho (TST), por meio de sua Quarta Turma, manteve decisão regional (TRT) que fixou em R$ 100 mil a indenização devida pela Companhia de Bebidas das Américas (AmBev) a um ex-vendedor, por maus-tratos e humilhação impostos a ele ao não atingir metas de venda.  "O vendedor trabalhou na Ambev de março de 2003 a julho de 2007 e, de acordo com prova testemunhal, durante esse período os empregados eram obrigados pelos gerentes a pagar prendas, como usar fraldão, fazer flexões e passar pelo corredor polonês, quando não atingiam as metas de vendas. Além disso, os supervisores usavam palavras de baixo calão contra eles nessas ocasiões", informou o TST. "Uma das testemunhas afirmou que viu o autor da ação no corredor polonês e que ele era alvo de apelidos pejorativos."
O TRT do Rio Grande do Sul havia aumentado de R$ 30 mil para R$ 100 mil a indenização ao trabalhador, por entender que a quantia inicial (fixada em primeira instância) não reparava o dano causado nem levava em conta a capacidade econômica da empresa. "Constata-se que o procedimento ofensivo era adotado a uma coletividade de empregados, o que também se conclui pelas inúmeras ações que tramitam nessa Justiça com pedidos idênticos", disse o TRT. "A indenização, portanto, além do caráter punitivo e reparatório, deverá também servir como medida educativa quanto à forma de tratamento dos seus empregados e no sentido de abolir definitivamente tais práticas abusivas perpetradas no desenvolvimento do contrato de trabalho."

No TST, a ministra Maria de Assis Calsing, relatora do processo, considerou – segundo o tribunal – que "não foi demonstrada desproporcionalidade entre o dano causado ao trabalhador e a culpa da empresa capaz de justificar a redução do valor, como pretendia a empresa".
Reprodução:  http://www.redebrasilatual.com.br

EXECUTIVO CANCELA REUNIÃO

A Prefeitura comunicou no final da tarde de ontem segunda-feira (13), o cancelamento da  reunião que deveria acontecer hoje, terça-feira (14), na qual seria tratada a Pauta do Magistério.
Conforme proposta construída pelo magistério em assembleia (dezembro) e protocolada junto à administração no mês de janeiro, o calendário de reuniões deveria ter sido apresentado pela Prefeitura até o dia 1º de fevereiro, para que houvesse tempo de tratar a pauta prioritária que é formada pelos itens:1 -Questões Salariais (itens 1.1 a 1.4),2- Plano de Cargos e Salários (itens 2.1 a 2.4) e 5 Formação e Valorização Profissional (Item 5.1). Acesse a pauta na  íntegra. 
O saldo dessas negociações será apreciado e debatido com o conjunto do Magistério Municipal no dia 01 de março , em uma Assembléia Geral, quando a categoria decide os encaminhamentos a serem realizados.
É importante lembrar que vários itens prioritários da nossa Pauta de Reivindicação não são novos, já foram apresentados à Prefeitura em negociações anteriores e, por isso, não podemos aceitar que a administração continue adiando a definição de uma resposta. A ampliação da hora-atividade para 33,33% da jornada de trabalho, os ADPS para as coordenadoras e orientadoras, o reconhecimento do Mestrado e Doutorado na lei 336/2000.
É necessário intensificar nossa mobilização e no dia 01 de março, realizarmos uma assembleia forte, que mostre à Prefeitura nossa indignação e nossa disposição de ir à luta em defesa de nossos direitos e em defesa da qualidade da educação pública.
Converse com as professoras e professores de sua escola e organize os colegas para participare em peso da assembleia.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

SINDPROF/NH REÚNE-SE COM O EXECUTIVO


Nesta terça-feira (08.02), aconteceu mais uma reunião da mesa permanente de negociação.
Representando os trabalhadores municipais: Luciana Martins e Valderes Dávila (Direção do SINDPROF/NH) e a professora Daniela Menezes, Luciane Bortolli e Pedro Pimentel (Direção GSFM), Milena (Direção da Associação dos Servidores da Comusa).
Representando o executivo: a secretária da administração e os secretários da fazenda, educação, geral de governo e o procurador do municipio.
Mais uma vez a administração deu aquela “enroladinha básica” e não trouxe nenhuma definição, como havia se comprometido, na reunião de janeiro, em relação aos ADPS das Coordenados e Orientadoras das escolas municipais.
Por outro lado iniciou a “leitura” da pauta de reivindicações 2012, protocolada em janeiro pelo SINDPROF/NH, alegando que era necessário avaliar a pauta como um todo.
Ficou agendada para a próxima terça-feira, 14 de fevereiro nova reunião.
Portanto, é importante que estejemos mobilizados e que possamos conversar como nossos colegas a respeito da Campanha Salarial 2012.
Mobilize sua escola para participar da Assembleia no dia 1º de março.


sábado, 11 de fevereiro de 2012

POBRES SOFREM MAIS COM A CORRUPÇÃO, AFIRMA ESPECIALISTA DO PNUD

Em entrevista, o especialista em políticas de governança Gerardo Berthin fala sobre o impacto dessa prática global e sobre o envolvimento da sociedade como um todo no combate à corrupção.
Maria Teresa Amaral/PNUD
Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção
A Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção entrou em vigor em 14 de dezembro de 2005, sendo reconhecida pelos Estados signatários como um instrumento internacional legal efetivo no combate à corrupção.
Atualmente, são 140 signatários em todo o mundo, incluindo o Brasil.
Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção
Download
Leia também
Nações Unidas lançam campanha contra a corrupção e convocam sociedade a agir
do PNUD

É preciso sensibilizar todos os setores da sociedade sobre a importância da transparência e da prestação de contas no combate à corrupção. Essa é a percepção do especialista em políticas de governança e descentralização do PNUD, Gerardo Berthin. Ele esteve no Brasil recentemente para participar de um evento organizado em parceria com o Governo do Estado de São Paulo sobre o tema.
O especialista, que atua no Escritório Regional do PNUD para América Latina e Caribe, no Panamá, afirma que o papel de promover os valores anticorrupção não é só do governo e deve ser incorporado por outras instâncias sociais, incluindo o setor privado, as universidades e os acadêmicos, a mídia e a sociedade civil.
Para Berthin, a corrupção é um grande entrave ao desenvolvimento dos países, afetando o acesso e a qualidade na prestação de serviços públicos e prejudicando especialmente as populações mais pobres e vulneráveis. Segundo ele, esse tipo de prática conduz a população ao descrédito em seus governantes, minando a democracia.
O representante do PNUD acredita na sensibilização da sociedade por meio de ações individuais – como a recusa em pagar propina – e coletivas, que possam aumentar os riscos para quem pratica a corrupção e reduzir as oportunidades e brechas no sistema.
Em entrevista ao site do PNUD, ele fala sobre o impacto da corrupção nos Estados e sobre sua ligação com o desenvolvimento humano, envolvendo mais acesso à informação, melhores instituições e maior participação cívica da população.
Qual é a influência da corrupção no processo de desenvolvimento?
Todas as evidências mostram que a corrupção prejudica muito os países em processo de desenvolvimento. Ela não só desvia os recursos de outros setores imediatos, mas também aumenta desnecessariamente os encargos fiscais para as pessoas; e também torna os serviços básicos ineficientes.
Esse é de fato o papel do PNUD. Nós não somos uma agência anticorrupção, mas uma agência para o desenvolvimento. Portanto, nosso foco tem sido sempre sobre o que é a relação entre o desenvolvimento humano e a governança democrática e a questão da transparência e da prestação de contas como parte de ambas.
Quem é mais afetado pela corrupção?
No geral, todo mundo. Mas certamente, a maioria dos setores que são mais vulneráveis tendem a ser mais afetados pela corrupção. Como você sabe, aqueles que estudam as práticas de corrupção apontam que existem diferentes tipos de corrupção. Você tem a “grande corrupção”, em que os partidos políticos ou as políticas capturam o Estado de modo que este favoreça um grupo da elite ou um pequeno grupo de pessoas. Mas também há a “pequena corrupção”, a corrupção do dia a dia, em termos de pessoas pagando propinas para obter serviços que, de outra maneira, deveriam ser gratuitos. Isso tem a ver, talvez, com as ineficiências do sistema ou talvez até com problemas de caráter, de não estar preocupado com o fato de que quando você paga uma propina você também passa a fazer parte do problema.
Então eu acredito que a evidência mostra que todo mundo é afetado mas que certamente a maior parte do fardo vai para os grupos mais vulneráveis em qualquer sociedade.
Falando sobre a corrupção do dia a dia, quem deveria ser envolvido na luta contra a corrupção? Existe algum papel especial para a sociedade civil?
Eu acho que o combate à corrupção é de fato uma luta de todos, não só da sociedade civil mas também dos governos, do setor privado, dos educadores, universidades, agências doadoras. Mas certamente a sociedade civil tem um papel muito importante. Primeiro, em termos de fiscalização, demandando transparência e prestação de contas na administração dos recursos públicos; e, em segundo lugar, em termos de advogar pela qualidade dos governos, o que envolve um maior grau de transparência e prestação de contas.
Os grupos da sociedade civil podem fazer auditorias sociais, em termos de auditar as políticas públicas, os gastos orçamentários, e também podem lançar campanhas para mostrar algumas das consequências negativas das práticas de corrupção, de modo que eles têm um papel bem importante, embora a experiência mostre que trabalhando em parcerias, junto com diferentes setores sociais, é, também, uma estratégia muito boa no combate à corrupção.
Qual é a importância de mecanismos como a transparência e a responsabilidade para esse processo?
Eles são extremamente importantes. Se nós estamos favorecendo o Estado para gerir nossos recursos públicos, nós também deveríamos esperar que o Estado administre esses recursos de forma responsável e transparente. Existe uma história sobre transparência na Índia que diz: “Se eu mandar minha filha para o mercado com US$ 100, quando ela voltar eu quero que ela preste contas disso” e certamente se nós damos ao Estado a responsabilidade de administrar os recursos, eles também deveriam ter a responsabilidade de prestar contas por esse dinheiro.
Então, isso é extremamente importante. Hoje nós temos indicadores mais sofisticados para medir os níveis de transparência e responsabilidade dos Estados. Nós podemos ver, em geral, que naqueles Estados em que isso ocorre, a qualidade da governança democrática e do desenvolvimento humano são boas – a correlação oposta é válida.
Então nós podemos afirmar, de certa maneira, que um IDH maior pode indicar maiores níveis de transparência e, portanto, menos corrupção em um determinado Estado?
Sim, na maioria dos casos. Se você olhar para os top 10 países do IDH, é bem provável que esses 10 países também estejam na lista dos 10 primeiros quando se trata de transparência e responsabilidade, utilizando diferentes tipos de indicadores. Por outro lado, países com índices de desenvolvimento humano menores geralmente sofrem com problemas de falta de transparência e de prestação de contas.
EcoDebate, 10/02/2012