No Brasil, a escola pública é laica desde a
década de 20 do século passado, mas a partir da Lei de Diretrizes e Bases da
Educação, de 1996, os estados ganharam autonomia para incluir novas disciplinas
nos currículos. Por esse caminho, o ensino religioso voltou a ser ministrado em
escolas públicas. A discussão atual se trata de substituir o ensino religioso pelo ensino das religiões nas escolas. “O Brasil é um Estado laico, conforme reza a
Constituição e, portanto, os entes públicos não têm o direito de privilegiar
esta ou aquela religião. Mas é inconcebível que as religiões praticadas em
nosso país não sejam objeto de estudo em todas as nossas escolas”, destaca o teólogo
Frei Betto, que defende o ensino da diversidade. “Os alunos precisam ter
conhecimento do que é catolicismo, protestantismo, espiritismo, judaísmo,
islamismo, candomblé, macumba, santo daime entre outros”, defende.
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Foto: Agência Brasil |
Esta reflexão vale para qualquer disciplina: ao ensinar história, quem é
o vilão, o bandeirante ou o índio caçado para ser escravo? O colonizador ou o colonizado?
Frei Betto ainda chama a atenção para a importância desta questão: “A
religiosidade, como a sexualidade, é inerente ao ser humano. Quem não a cultiva
na direção correta corre o risco de direcioná-la para a idolatria - da beleza,
do poder, da fama, da riqueza”, alerta.
Aos educadores, que vivenciam o cotidiano das escolas, este é um bom
momento para a reflexão. Uma vez que estes agentes e seus exemplos interferem
de forma inerente em suas falas. Assim, não existe educação neutra. Toda a
educação é inevitavelmente impositiva. O desafio pedagógico é fazer isso de
modo a permitir ao estudante tornar-se protagonista do processo, com ferramentas
suficientes para fazer escolhas.
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