A derrota nas eleições de Luis Lauermann reflete o desgaste
nacional do Partido dos Trabalhadores e está no rol de derrotas que este
partido teve nas eleições deste ano. Porém não é só isso. É necessário fazer um
balanço dos últimos quatro anos. O governo Lauermann foi eleito em eleição
suplementar, depois do então prefeito Tarcísio Zimmermann, também do PT, não
ter sua candidatura homologada. Lauermann herdou do governo anterior um plano
de carreira insuficiente, uma relação complicada entre o titular da pasta da
educação Beto Carabajal com a categoria e a insatisfação crescente dos
professores com esta situação.
Os quatro anos do seu governo eram a chance de restabelecer o diálogo e
construir uma alternativa de valorização do professor, fortemente atacada com o
novo plano de carreira. Rapidamente não se confirmou. Não fez mudanças na Secretaria
da Educação, deixando o desgastado secretário Beto (que só caiu após a greve de
2015), que trazia (e trará para sempre, tanto que as urnas mostraram isto) a
marca da extinção do plano de carreira e da falta de diálogo.
Pouco se viu Luis Lauermann nas mesas de negociações. Pode-se contar nos
dedos de uma mão. Foram três vezes que o prefeito se fez presente com
representantes da categoria. A primeira foi no início do seu governo, em 2013,
quando recebeu a comissão de negociação dos dois sindicatos. Depois, só recebeu
novamente na greve de 2015, por duas vezes, sendo a primeira, quando os
professores decidiram pela greve, o prefeito recebeu uma comissão. A segunda
vez foi quando professores e servidores das demais categorias dos municipários
“fixaram pé” no nono andar, com disposição para passar a noite, se necessário.
Neste dia ele recebeu os presidentes dos dois sindicatos. Fora isto, apesar dos
pedidos para que ele participasse das mesas de negociação, não se fez presente.
Esta ausência do prefeito também foi determinante para o seu desgaste frente ao
funcionalismo público municipal.
Os seus representantes,
secretários das mais diversas pastas, tampouco fizeram esforço para estabelecer
diálogo. As reuniões foram marcadas pela truculência, tentativas de retardar a
negociação e deboche por parte dos representantes do governo da pauta da
categoria. Tanto que uma das marcas que este governo levará é esta truculência,
a falta de disposição para negociação e a ausência de ações concretas em
relação à pauta.
Neste ano, novamente parcelou o dissídio, descontou salário de
professores grevistas, ameaçou com falta injustificada uma paralisação legítima
em março (que só foi abonada após lei redigida e aprovada pela Câmara de
Vereadores). Ainda houve um ensejo de avanços, principalmente na questão da
reclassificação. Foram feitas reuniões para buscar uma alternativa, porém a
falta de vontade política do executivo fez com que não se concretizasse.
Um comentário:
Assino embaixo. Ótimo balanço e texto muito bem escrito.
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